Propaganda enganosa do Governo Lula
As autoridades econômicas alardeiam que o Brasil vai zerar sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) até o fim do ano. Isso é um absurdo. É uma enganação. Ao contrário do que o governo diz, o comprometimento do gasto público é cada vez maior e o monitoramento do FMI é total sobre o Brasil.
A nação tem uma dívida pública de R$ 1 trilhão e 71 bilhões. Em 1995, ela era de R$ 53 bilhões. Sabem quanto já pagamos de juros? Mais de R$ 1 trilhão, mas não conseguimos abater um centavo. Só em 2005, vamos pagar, só de juros, mais de R$ 150 bilhões.
O comprometimento de recursos no país para sustentar a política de favorecimento do capital financeiro nacional e internacional, volátil e especulativo limita a capacidade de produção e liquida qualquer possibilidade de resgate da dívida externa brasileira.
O pagamento de uma parte da nossa dívida tem objetivos eleitoreiros. Pretende reduzir o Risco Brasil e atrair investidores. Enquanto isso, o Banco Central, com a intenção de eliminar a liquidez financeira, compra no mercado bilhões de dólares para fazer as chamadas reservas internacionais.
Os dados oficiais mostram que o Brasil crescerá menos que outros países emergentes. O crescimento projetado de nosso Produto Interno Bruto (a soma de tudo o que é produzido no país) é de 2,5 % e o de outros países é, em média, 6,4%.
Parece incrível, mas Lula que, antes de tomar posse como Presidente da República, gritava “fora FMI”, agora fica de joelhos e obedece cegamente às ordens do Fundo Monetário Internacional que determina nossa política econômica.
O anúncio mentiroso da quitação da dívida é propaganda enganosa, uma medida evidentemente eleitoreira. O governo deveria pegar esses R$ 35,54 e aplicar em saúde, educação, segurança pública, estradas, saneamento e infraestrutura em geral.
Em vez de anunciar mentiras marqueteiras, o governo deveria renegociar, com o FMI, formas mais suaves de pagamento da dívida, a redução das taxas de juros e da carga tributária. Se Lula tivesse coragem, tomaria medidas para conduzir o país ao caminho do desenvolvimento econômico sustentável com geração de emprego e renda.
Só assim, poderia restaurar sua credibilidade política e encerrar o governo com um mínimo de realizações efetivamente voltadas para o povo brasileiro.
Alceu Collares
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